O sol já ia alto, e a temperatura amena fez com que Halil resolvesse parar no lago da propriedade para beber… a água era pura e cristalina, e aquela hora a sua frescura ajudava um pouco a matar a sede. De repente, ao longe, uma carroça passa desgovernada e com os cavalos completamente assustados e sem freio. Halil monta o seu cavalo e persegue a carroça, salta para um dos cavalos da frente conseguindo dominá-la. No seu comando estava uma jovem, que meio assustada, agradeceu entre dentes a ajuda do gentil cavalheiro.

- O que aconteceu?? perguntou Halil

- Nem sei bem, disse a jovem… - Creio que algo os assustou, e começaram uma corrida desenfreada… já não consegui mais controlá-los!

- Podia ter-se magoado se por acaso a carroça tombasse… Halil pegou na mão da jovem, ajudando-a a descer. Quando ela ergueu a cabeça, um pequeno raio de sol ilumou o seu rosto, Halil ficou sem palavras… apesar de trajar modestamente, ainda não tinha visto uma beleza igual por aqueles lados.

- Eu sei que podia ter posto a minha vida em risco, disse a jovem meio a gaguejar, mas de facto não consegui controlar os animais de todo…

Os seus olhos, de um profundo azul, entreolharam os de Halil, corando de seguida, disse meio a medo – agradeço-lhe imenso a sua ajuda, senhor!

Halil ficou petrificado, nem sabia bem o que responder… um homem como ele, meio duro de modos e estava completamente fascinado. A jovem, neste interregno, exclamou: - Já pode largar a minha mão senhor! Meio atrapalhado é que reparou que no meio do seu enlevo ainda segurava a mão da rapariga.

- Bem, vou-me embora, disse ela, e subindo para a carroça exclamou:

- Mais uma vez obrigada pela ajuda, e tenha uma boa tarde senhor!

Halil continuava sem poder proferir uma palavra… aquela mulher causou-lhe um tal impacto que nem sabia o que dizer… apenas ela falava, justo ele, habituado a dureza do campo de batalha, e bastava uma beleza do sexo oposto, vinda nem se sabe de onde, para o deixar sem palavra.

Já a carroça ia distante quando finalmente conseguiu cair em si e dizer qualquer coisa,

- Como se chama?!, perguntou meio atabalhoado

- Güzel!,  gritou ela de longe, escapando-se no caminho de terra.

(In "Amor e Guerra", versão portuguesa)

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